ARTIGO PUBLICADO
A NOVA-VELHA ESTRATÉGIA DA DIREITA E AS ELEIÇÕES
Francisco Ramos Neves - Professor de filosofia – UERN
Pelos bastidores já se anuncia a nova estratégia da direita e da ultradireita neoliberais para as eleições vindouras. O partido Democratas (DEM) que surgiu tentando disfarçar sua origem autoritária de sustentação e patrocínio da ditadura militar sob a sigla da velha ARENA (triste lembrança do antidemocrático bipartidarismo do regime militar), passou sua máscara para a legenda do falido e desacreditado PDS, que depois se travestiu com a insígnia econômica do modismo do liberalismo inventando a sigla PFL, agora, aos poucos, mostra sua cara. Mostra sua cara para os que só olham a superfície da política, tais como aqueles que ao olharem para uma floresta e só veem árvores, parafraseando o filósofo alemão Hegel. Para os mais atentos na política que ao olharem para uma floresta veem mais do que árvores e percebem a urdidura e a trama das suas relações com o todo, a verdadeira cara do DEM sempre esteve à mostra. O apoio deste partido às propostas mais antipopulares no cenário da política nacional e internacional, sua aliança em torno dos movimentos em defesa no neoliberalismo e de toda prática econômica da privataria orquestrada em nosso país desde longos anos. Sua cara esteve à mostra quando do seu apoio à candidatura denominada de DEMOtucana do Serra (PSDB), o maior entreguista do patrimônio e das riquezas naturais da nossa nação nos últimos tempos. A verdadeira cara do DEM, que abriga e defende os ideais dos maiores detentores do poder sobre o capital financeiro em nosso país, sempre esteve à vista de todos em sua constante reacionária atitude contra as recentes mudanças sociais, políticas e econômicas em nosso país que o elevou à vanguarda econômica das grandes nações do mundo. O DEM não consegue se esconder quando, de maneira mesquinha, combate e tenta atrapalhar o governo popular presidido antes por Lula e agora por Dilma, que alcançaram os maiores índices de aceitação e satisfação por parte do povo e dos setores críticos e sérios da sociedade civil no Brasil e no mundo. Tudo isto sem falar nos atos isolados que desmascaram a origem do DEM como foi o caso do Decreto imposto pela governadora, filiada a este partido aqui do RN, que tentava proibir o livre direito de manifestação do povo insatisfeito com seu governo.
A nova estratégia da Direita e da ultradireita neoliberais em nosso país e aqui no RN é a mesma e velha estratégia de sempre: se unirem e revelarem a falsa rivalidade entre si para combaterem o crescimento da esquerda e dos movimentos populares. A aliança proclamada e já em execução do PMDB com o DEM é prova incontestável desta nova-velha estratégia. Fala-se, inclusive, em fusão dos dois partidos. O PMDB transfigurado desde o fim do antigo MDB, que abrigava algumas forças políticas de esquerda no combate institucional e eleitoral aos defensores e protagonistas da ditadura militar, sempre se preocupou em estar fisiologicamente ligado aos governos de maneira sucessiva. E agora suas principais lideranças sorrateiramente articulam com o DEM alianças em nome dos princípios neoliberais em jogo e ameaçados pelo avanço das conquistas sociais que beneficiam a maioria que sempre foi excluída das condições mínimas de dignidade e cidadania. É de fato clara esta estratégia sobretudo quando estão comprovados internacionalmente os avanços e ganhos sociais e econômicos que o Brasil conquistou desde o governo Lula. Qual o interesse do PMDB em abandonar este projeto auspicioso, de beneficiamento das camadas populares que crescem em seu poder aquisitivo adentrando em patamares mais elevados de ganhos sociais e econômicos, se não for em nome dos princípios elitistas do capital financeiro e do neoliberalismo que agoniza em crise?
Desde muito tempo percebemos na política geral e particularmente no RN as aparentes rivalidades radicais das oligarquias entre si e que se desfazem em novas alianças político-eleitorais, também entre si. Infelizmente estas alianças não são para garantirem projetos de governabilidade e sustentabilidade social e política dos interesses dos governados, o que seria louvável, mas para manterem o status quo e o poder oligárquico e secular de suas famílias que dominam a política local. Mas, como em outras regiões do país velhas oligarquias têm caído, mesmo com suas alianças entre si, podemos ter esperança que o RN também mude seu cenário político e seus repetidos nomes oligárquicos no poder. Podemos e devemos acreditar que o RN se erga para uma nova democracia com novos nomes e verdadeiros ganhos sociais para todo o povo e não apenas para pequenos grupos familiares locupletados no poder.
PUBLICADO EM: O JORNAL DE HOJE, Natal. 19, jan. 2012














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