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12/01/2013


NAVEGUE NO BLOG COM MÚSICA E CURTA!

BLUES - BLUES  -  BLUES  -  BLUES

Escrito por Francisco Ramos Neves às 21h06
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Escrito por Francisco Ramos Neves às 21h03
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NAVEGUE NO BLOG COM MÚSICA E CURTA!

Escrito por Francisco Ramos Neves às 15h17
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09/10/2012


 
 

ARTIGO PUBLICADO

A REPÚBLICA DOS FANTOCHES IMBERBES

Francisco Ramos Neves - Professor de Filosofia – UERN - professor.ramos@hotmail.com

 

Imberbe do latim imberbis (o que não tem barba) pode designar em nosso cotidiano a condição política dos novatos sucessores de oligarcas no poder legislativo ou executivo do Estado. No processo eleitoral local percebemos a proliferação de diversos imberbes lançados por suas tradicionais famílias locupletadas em diversas instâncias do poder, que sequer possuem um feito ou uma ação política qualquer em sua vida. Em movimento estudantil, muito menos no sindical ou no de bairro jamais participaram. As oligarquias agem como os monarcas em seus reinados, impondo a sucessão dos seus governos pelos seus filhos ou outros descendentes próximos. A única diferença é que as famílias oligárquicas travestem seus reinados com roupagens de uma república democrática. Mas a diferença se desfaz quando percebemos que: o “voto de cabresto”, a compra clandestina de votos, a grande concentração de renda, o capital financeiro que está nas mãos de poucos grupos familiares, o novo coronelismo, a imposição de nomes familiares sem qualquer mérito político e o constante e impune uso absurdo da máquina do Estado fazem dos governos oligárquicos a nova versão das antigas monarquias. Diversos reis e imperadores imberbes existiram na história, muitos sem nenhum mérito, o que resultou em governos fracassados e subservientes. Um grande exemplo foi Luiz XV que herdou a condição de Rei da França em 1710 com apenas 5 anos; mas que devido à sua menoridade o reinado contou com dois regentes, mas tarde por inexperiência no poder nomeou um governante até os seus 33 anos, quando assumiu o poder e se demonstrou um rei fraco e sem expressão.

Na politicagem oligárquica atual que repete como comédia os reinados dos Estados monárquicos, a tradição continua mascarada pela fantasia do novo. Velhos políticos alimentados pelo espírito oligárquico e sugando a última gota de sangue da mentalidade de um povo que fora submetido à subserviência ao coronelismo e poderio pífio de grandes capitalistas perpetuam pelas eleições de cartas marcadas seus micros reinados locais. Agora contam com a adesão de pequenos burgueses e “novos ricos” beneficiados pelo poder da mídia ou de igrejas que os sustentam e os promovem para servirem como caixas cegas de ressonância de interesses particulares de grupos elitistas travestidos de salvadores da pátria ou de falsos profetas que prometem libertar o povo do fogo do inferno da política. O messianismo agora se veste de cinza, preto ou negro azul com risca de giz e balança, feitos amuletos, gravatas no pescoço untado com o melhor perfume.

Os oligarcas do coronelismo agora não mais, em alguns casos, cobrem o calvo ou branco crânio com chapeu de vaqueiro, típico dos coronéis de outrora, mas fazem implantes ou revitalizam os cabelos com gel ou tintura vaidosa que lhes deêm um pouco de status de eternidade. Mas, a plasticidade com que tentam manter suas faces repetidas nos cartazes da política, em murais digitais ou nas paredes de barro das sófregas casinhas dos rincões do sertão e das paliçadas palafitas beira-mar não é o suficiente. Tentam manter sua imagem constante para afirmarem que dominam e não perdem o poder como em um jogo de cassino com roleta viciada, onde o povo é sempre o perdedor; pois, aposta em suas falsas cartas e ganham parcas fichas para novas e constantes apostas, mas que nunca vê os lucros deste jogo marcado com o ferro de poucas famílias, que rodam as roletas e jogam as cartas, mas que sempre escolhem com antecedência o vencedor. Com este desejo de eternidade, como quem teme a própria morte do seu nome de família neste jogo lúgubre de horror, escolhem as melhores mesas e os novos jogadores vencedores. Tudo no mesmo cassino que comandam com sua mesma marca, legenda, roupa, discurso, fala, hábito e até com o mesmo nome para um rosto imberbe, no intuito de permanecerem sob as luzes da ribalta. Agem como bufões de uma ópera onde repetem o mesmo cenário e o mesmo texto, como uma ladainha monossilábica ou como um coro chorado por carpideiras pagas para velarem com lágrimas de colírio televisivo o moribundo que há muito já deveria ter ido desta para melhor pela tenra, cansada, sofrida e vivida idade.

Agora colocam filhos, sobrinhos, primos, netos e preparam bisnetos para uma nova fornada política, para continuidade dos seus cantos de zombadores que jogam com a certeza da vitória, fruto desse sistema de fichas marcadas e poder dividido e planejado por elites que dominam e controlam os próprios meios que poderiam ser caminhos para mudanças possíveis. Novos imberbes são colocados no picadeiro e parcos cordeis são atados em suas mãos esquálidas e esguias sem as marcas do tacão que oprime o homem que trabalha e move a produção das riquezas do país.  Como marionetes repetem discursos trinados e programados para preservarem a sensação de que os que controlam os imberbes são os mesmos que falam ao público. Filhinho, Joaninha, Joabinho, Segundinho, Juninho, Maninha, Huguinho, Zezinho e Luisinho desfilam em carros alegóricos com sorrisos forçados no rosto, atônitos e com olhos fixados no horizonte para não esquecerem o texto oligárquico e rumam para a ferrenha fácil tarefa de construirem a república dos fantoches imberbes.

 PUBLICADO EM: o jornal de hoje, Natal, 27 de set. 2012, p. 02 

http://jornaldehoje.com.br/a-republica-dos-fantoches-imberbes-francisco-ramos-neves-professor-de-filosofia-uern-professor-ramoshotmail-com/

 

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 23h30
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26/07/2012


 
 

ARTIGO PUBLICADO

O GOLPE DE ESTADO NO PARAGUAI (II)

Francisco Ramos Neves

Professor de Filosofia – UERN

professor.ramos@hotmail.com

 

A denúncia do golpe de Estado no Paraguai incomoda muita gente. Não era para incomodar. Pois o dito popular já consagrou a expressão “produto do Paraguai” como sinônimo de coisa que não tem valor, pirataria ou falsificação. O país já se transformou em piada para muita gente. Mas, o que tem por trás dessa situação? Por que, mesmo sendo ridicularizado o Paraguai ainda é cobiçado pelas elites da Direita reacionária e incomoda muita gente a denúncia do golpe de Estado, que estrangula a democracia no país latino vizinho? Ora, o que acontece é que o Paraguai ainda sangra em sua história. O grito usurpador do velho imperialismo ainda ecoa na garganta do ódio dos neoliberais no presente, que agora depois do golpe começam a calar a imprensa crítica e a perseguir jornalistas e opositores.

O Paraguai não era assim, ele ainda hoje, como se percebe com o golpe e pelo que se veicula no PIG (Partido da Imprensa Golpista), é tido como referência do espírito do povo que pode se elevar além do poder beligerante e opulento das elites do capitalismo. Por isso, ainda é massacrado, além do que já sofreu por sua altivez no passado. O Paraguai há mais de um século foi o país mais próspero e mais avançado de toda a América Latina. Em meados do século XIX os governos progressistas de Carlos Antônio Lopez e do seu filho Francisco Solano Lopez deram início à construção de um Paraguai como uma grande economia independente e promissora para o mundo inteiro. O país desafiou o poderio monopolista do imperialismo Inglês, maior potência da época, conquistando autonomia e mercado no enfrentamento com o comércio da Coroa Inglesa. A história da ascensão e destruição do Paraguai próspero e independente é descrita pelo historiador Eduardo Galeano, em sua obra: “As veias abertas da América Latina”, livro que retrata com uma impressionante riqueza de detalhes e documentação as atrocidades e desumanidades que marcaram as invasões e ocupações dos países da América Latina pelos países imperialistas da época. Galeano relata que, já em 1850 o Paraguai além de incrementar as comunicações com a construção de uma linha telegráfica, possuía uma grande rede ferroviária para transportar a vasta produção de suas grandes indústrias de materiais de construção, de papel e tinta, tecidos, lenços, louça e pólvora. Investia amplamente em pesquisas industriais e navais e mantinha com excelente remuneração dezenas de técnicos estrangeiros para auxiliarem no crescimento tecnológico e científico do país. Sua indústria bélica era invejável, produzia em larga escala canhões (boa parte sendo de bronze), morteiros, obuses e balas de todos os calibres. A siderurgia nacional e todas as demais atividades econômicas essenciais eram gestadas pelo Estado, o que na economia de hoje ainda representa um dos motivos da fúria gananciosa por parte dos setores privatistas neoliberais. A indústria naval paraguaia foi fundamental para a expansão do comércio exterior do país, com a construção de uma grandiosa frota mercante no estaleiro de Assunção. Seus vários navios ostentavam o pavilhão paraguaio ao logo do Paraná, do Atlântico e do Mediterrâneo, exportando erva-mate e tabaco para o consumo do sul do continente e madeiras valiosas para a Europa, demonstrando sua conquista de uma ativa hegemonia no comércio internacional.

O Paraguai deu lições de crescimento econômico com autonomia, solidariedade, distribuição de renda e justiça social. Fruto de um gigantesco superávit em sua balança comercial teve uma moeda forte e estabilizada, investia em políticas públicas de inclusão e cidadania sem recorrer ao capital estrangeiro; onde o excedente econômico gerado pela produção agrícola não ficava nas mãos de famigeradas oligarquias como ocorre atualmente, inclusive em nosso país, mas era apropriado socialmente. Quase a totalidade das terras paraguaias era de domínio público. Um pouco parecido com o que o presidente golpeado, Fernando Lugo tentava fazer atualmente, o Estado cedia as terras aos camponeses para povoação e exploração sem direito de vendê-las, além de existirem diversas fazendas da pátria produzindo alimentos para a população.

Tudo isso gerou o ódio capitalista da época, inclusive do imperialista escravista Dom Pedro II, com seu serviçal Duque de Caxias, pelo Brasil, que juntamente com a Argentina do tirano Mitre, financiados pela Inglaterra que obrigou a participação do Uruguai, formando a Tríplice Aliança, implementaram a cruel e genocida “Guerra do Paraguai”. Segundo Galeano, a invasão foi financiada, do começo ao fim, pelo Banco de Londres, a casa Baring Brothers e banco Rothschild, em empréstimos com juros exorbitantes que “hipotecaram o destino dos países vencedores”, levando-os a crises financeiras que se arrastam até os nossos dias. Os invasores iniciaram o vergonhoso genocídio do povo paraguaio em 1865 e terminou em 1870 com a dizimação de grande parte da população e de quase todos os homens adultos, como forma de evitar qualquer foco de reconstrução do país.  O autor chega a afirmar que a situação levou ao estímulo da poligamia para que sua população que foi reduzida a apenas 250 mil paraguaios, não desaparecesse em definitivo. Junto aos escombros que restaram do país sua economia foi reduzida a frangalhos. A Argentina e o Brasil abocanharam porções de terras anexando-as aos seus territórios. A Argentina ficou com 94 mil e o Brasil com mais de 60 mil quilômetros quadrados de terras que foram usurpadas pelo imperialista Dom Pedro II, além de muitos prisioneiros que foram capturados para trabalharem como escravos nos cafezais paulistas “com a marca de ferro da escravidão brasileira”.

O Paraguai com a invasão imperialista perdeu não apenas seu poder econômico, onde tudo foi saqueado, mas também sua soberania e liberdade. Os invasores passaram a controlar o país e impuseram o latifúndio que passou a enriquecer grandes capitalistas, inclusive brasileiros que até hoje ainda exploram suas terras. Também impuseram o fim do comércio exterior, o fim das taxas aduaneiras, o livre-cambismo, o que explica parte do que acontece hoje em relação aos diversos produtos contrabandeados que passam sem controle por suas fronteiras, tudo com a leniência dos imperialistas que lhe destruíram e assim a mantem para servir como troféu e como exemplo de sua opulência e tirania. Tirania que alimentou a ditadura do terrorista de Direita, Alfredo Stroessner que perpetuou por décadas a escravidão do Paraguai juntamente com outros governos anteriores instalados pelas forças imperialistas de ocupação. Em parte Fernando Lugo tentou reacender a chama e o espirito de Solano Lopez, do desenvolvimento nacional com justiça e inclusão social, e a Direita deu novo golpe neste ímpeto. Segundo Galeano, em relação à Guerra do Paraguai, “quando finalmente o presidente paraguaio foi assassinado a bala e a lança na espessura do morro Corá, chegou a dizer: ‘Morro com minha pátria!’ e era verdade. O Paraguai morria com ele.”

PUBLICADO EM: O jornal de hoje, Natal, 19 de julho de 2012, p. 02.

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 14h17
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01/07/2012


 
 

ARTIGO PUBLICADO

O GOLPE DE ESTADO NO PARAGUAI E O PESADELO QUE AINDA RONDA A AMÉRICA LATINA

Francisco Ramos Neves

Professor de Filosofia – UERN

professor.ramos@hotmail.com

Um vergonhoso fantasma ainda assusta a América Latina, é o velho fantasma golpista da Direita. O golpe ultrajante ocorrido no Paraguai articulado por um parlamento formado em quase sua totalidade por uma maioria reacionária nos referenda na crença de que a polarização entre Esquerda e Direita na política ainda existe fortemente na atualidade. O presidente Fernando Lugo (ex-bispo), eleito democraticamente em 2008, sofreu um golpe de Estado de Direita exatamente por representar interesses anti-oligárquicos e por combater a grande concentração de terras nas mãos de um punhado de latifundiários. O golpe além de ser capitaneado pela Direita reacionária teve apoio do PIG (Partido da Imprensa Golpista) nacional e internacional que anuncia motivos infundados ao golpe para tentativa de cooptação do público. Este episódio nos faz lembrar o caso do golpe de Estado em Honduras, ocorrido em 2009, quando no dia 28 de junho o presidente legalmente eleito Manuel Zelaya foi deposto e expulso do país por um golpe articulado pela Direita que incitou o exército sob um comando reacionário, a participar da ofensiva. O Congresso Nacional de Honduras aliado aos militares golpistas nomeou um empresário ligado aos interesses das elites para presidir o país. Zelaya fora golpeado por estruturar um governo voltado para as classes populares, sobretudo a partir de sua adesão à Aliança Bolivariana das Américas, que é liderada por Hugo Chaves.

Outro episódio desta trama ocorreu com Hugo Chávez, radical líder de Esquerda, pregador do socialismo e da revolução bolivariana na América Latina em nome dos ideais populares de Esquerda. Ele passou pela situação desastrosa de um golpe militar articulado pelos EUA e pela Direita venezuelana. O presidente legítimo da Venezuela foi golpeado e preso em abril de 2002. No mesmo dia o mega empresário da ultra Direita, Pedro Camona, se autodeclarou presidente interino, dissolvendo autocraticamente, de imediato, o Supremo Tribunal de Justiça, o Conselho Nacional Eleitoral e o Parlamento legalmente constituído, e ainda removeu todos os governadores, prefeitos, vereadores e o Procurador-Geral da República, além de outras inúmeras atrocidades e atentados contra o Estado de Direito existente. No entanto, milhares de populares e partidários de Chaves foram às ruas protestar contra o golpe à democracia e conquistaram a reintegração de Hugo Chávez como presidente constitucional da Venezuela. Muitos outros pequenos golpes, de diversos matizes contra os governos democráticos populares de Esquerda, assolam a América Latina; sem falar nas pressões de Direita sofridas pelos governos populares e de orientação de Esquerda como o de Lula, agora o de Dilma, o de Evo Morales na Bolívia, e na Argentina, onde o governo popular de Cristina Kirchner sofre ameaças por parte de setores da Direita. Temos também o exemplo da tentativa de golpe sofrida em 2010 pelo presidente do Equador, Rafael Correa, que tem forte filiação aos ideais de Esquerda, inclusive atualmente contraria o Reino Unido ao conceder refúgio na Embaixada equatoriana em Londres ao perseguido pela polícia inglesa, Julian Assange, fundador do “WikiLeaks”, site que divulga notícias confidencias comprometedoras de grandes autoridades e muitos “segredos de Estado” de grandes potências.

No caso recente do Paraguai, aproveitando o resultado sangrento de um conflito no campo entre camponeses e grandes proprietários de terra ligados á produção e exportação de soja transgênica, a Direita representada pelos  latifundiários e grandes banqueiros articularam os deputados e os senadores que em um processo espúrio simulou uma ação legal para mascarar o torpe golpe. Em uma ação que contraria todos os processos juridicamente e corretamente constituídos, cerceando e castrando o amplo direito de defesa do presidente, negando o contraditório, decidiram tudo em pouco mais de 24 horas e decretaram o golpe. O “golpe parlamentar”, como ficou conhecido, representa uma nova modalidade de atentado à democracia por parte da Direita reacionária para evitar os sangrentos golpes de outrora, que claramente seriam repudiados por toda comunidade mundial. O golpe foi dado em cima de um presidente legalmente constituído. A reação com certeza foi pelo fato de Fernando Lugo ser ligado à linha progressista da Igreja católica vinculada à Teologia da Libertação, que derrotou eleitoralmente mais de 60 anos (incluindo mais de 34 anos de ditadura do general Stroessner) de poder do Partido Colorado e outros partidos menores de Direita que dominavam o país.

Mas, Paraguai resiste. Em uma mobilização pacífica o povo forjou um movimento de resistência civil liderado pela Frente Nacional de Defesa da Democracia, que já recebe apoio solidário de todos os setores e países progressistas do mundo. A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) e outras organizações não reconhecem o governo imposto de Frederico Franco. O Brasil e outros países já retiraram seus embaixadores do país em claro protesto a este condenável e lastimável golpe contra a democracia. Com estes fatos absurdamente realistas, somos lançados em um pesadelo que nos assombra, e nos alerta ao mesmo tempo, com o fantasma golpista que sempre rondou a América Latina. Com estes recorrentes fatos, tendemos a suspeitar do ressurgimento da virulenta “Escola das Américas”, conhecida como Escola de Ditadores, que era mantida pela Direita norte-americana para preparar golpistas em uma formação fascista e militarista para combaterem e derrubarem governos de Esquerda na América Latina nas décadas de 60 e 70, durante o período da chamada “Guerra Fria”, no século passado. Dessa forma, podemos até acreditar que o golpe de Honduras não fez escola para os golpistas do Paraguai e de outros países, mas surgiram todos da mesma fonte de formação, reabrindo as sofridas veias da América Latina.

PUBLICADO EM: O JORNAL DE HOJE, Natal, 30 de junho de 2012. p. 02 

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 22h52
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ARTIGO PUBLICADO

PRIMAVERA ÁRABE E NEOIMPERIALISMO (I)

Francisco Ramos Neves – Professor de Filosofia - UERN

professor.ramos@hotmail.com

 

“A primavera dos povos começa em Praga” como afirma Pierre Broué no título do seu livro que retrata a revolta anti-stalinista de Praga. Já a primavera árabe começou na Tunísia, onde floresceu os movimentos rebeldes plantando e disseminando a chamada “Revolução dos Jasmins” que, no dia 14 de janeiro de 2011, forçou a renúncia do presidente Zine el Abidine Bem Ali, no poder desde 1987, que fugiu para um refúgio na Arábia Saudita.

A primavera árabe teve seu início na Tunísia e se espalhou por diversos outros países da região. Embora já anunciada com as indignações contra as crises econômicas e as perseguições do governo, o estopim decisivo foi o suicídio do jovem vendedor ambulante de frutas e verduras, Mohamed Bouazizi de 26 anos, ocorrido em Sidi Bouzid, pequena cidade na zona rural de Túnis, Capital da Tunísia. Impossibilitado de continuar com seu comércio por falta de uma licença para trabalhar na rua, Mohamed que por muito tempo vinha sofrendo assédio por parte das autoridades tunisianas, e sem recursos financeiros para continuar pagando propinas aos fiscais, terminou por ter sua mercadoria e balança confiscadas. Desesperado, por não possuir outros meios para sustentar a sua pobre família, o rapaz ateou fogo ao próprio corpo em frente à sede do governo, morrendo 18 dias depois no hospital.

No Egito a primavera árabe foi anunciada por um furacão que em 2011 ficou conhecida pelos “dias de fúria”, que para fazer jus á denominação de primavera também ficou conhecida como “Revolução de Lótus” e “Revolução do Nilo”. Os revoltosos invadiram e ocuparam a Praça Tahrir no Cairo, capital do Egito; organizaram diversos e arrasadores protestos e manifestações de desobediência civil, entre 25 de janeiro e 11 de fevereiro de 2011, o que resultou em mais de 850 mortos, culminando na deposição do ditador Hosni Mubarak. Recentemente o povo se sentiu traído por não conseguir banhar as flores da primavera egípcia também com o sangue de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua, contrariando a promotoria e os anseios populares pela pena de morte.

Na Líbia a maior revolta popular das últimas décadas teve por objetivo derrubar o ditador Muamar Kadafi, que governou o país desde 1969 até ser enfrentado em um combate sangrento. Kadafi depois de muitos dias de resistência foi capturado e misteriosamente executado por mercenários e forças militares organizados por uma coalizão de países que apoiaram as forças internas formadas por opositores ao regime. Kadafi chegou ao poder por meio de um golpe de Estado, que depôs a monarquia que dominava o país anteriormente.

Podemos afirmar que, em parte, a denominação às revoltas nestes países, intitulada “primavera árabe”, faz referência às revoltas, denominadas ‘primavera dos povos’, ocorridas nos países europeus durante o ano de 1848, em protesto contra as crises econômicas da época e contra as tentativas de restauração das monarquias absolutistas que reinavam antes da Revolução Francesa. O termo “Revolução dos povos” também foi apropriado para designar a Revolução de Praga, capital da antiga Tchecoslováquia (hoje República Tcheca) então dominada pelos soviéticos, que foi o berço das manifestações contra o regime stalinista na década de 60. A primavera árabe passa agora por diversos momentos e dificuldades para o estabelecimento da democracia e consolidação das conquistas obtidas. O processo de transição ainda é muito confuso e incerto, como é o caso da Líbia que conta com um Conselho Nacional de Transição (CNT) e ainda enfrenta alguns focos de resistências por parte dos antigos aliados de Kadafi. No Egito a conjuntura é marcada pela disputa pelo poder político e as Forças Armadas é quem governa o país, o que demonstra a ausência da democracia pretendida com as revoltas, o que tem levado as massas novamente à Praça Tahrir, palco das revoltas, para novos protestos. O mesmo ocorre com a Tunísia, onde os movimentos políticos são retomados para clamarem por mais avanços rumo à democratização e às conquistas sociais e econômicas.

                Um elemento diferenciado nestas revoltas foi a importância das novas mídias na articulação das reuniões, manifestações dos revoltosos e debates sobre as ideias políticas em confronto. No Egito, por exemplo, pelo Facebook muitos manifestantes trocaram informações, fotos e vídeos e conclamaram o povo para agitações e reuniões de rua, além de promoverem debates políticos sobre a conjuntura política e o governo de Mubarak.

                O que podemos concluir é que as revoltas nesses países, aqui citados, podem avançar e contagiar outros povos e países, como tem ocorrido na Síria, e já se manifestam também em outros países árabes, tais como o Paquistão e a Arábia Saudita, embora seja difícil um levante imediato e vitorioso a curto prazo, pois estas nações árabes são grandes aliadas dos EUA. No entanto, já ocorrem diversas manifestações nas ruas e pelas novas mídias, embora sofram represálias, elas clamam por liberdade e pelo fim das injustiças morais, culturais e contra as desigualdades sociais e econômicas das quais são vítimas.

O neoimperialismo da globalização neoliberal marca sua forte presença nesta primavera árabe plantando flores de discórdia com longos espinhos tortuosos que se destacam além das pétalas. Suas sementes são disseminadas nas terras árabes com o intuito de fazer germinar em novos mercados o poder financeiro, político e cultural que há tempos domina o Ocidente. A internacionalização dos conflitos locais nos países árabes mostra o interesse das potências neoliberais em interferirem apenas em nações de grande importância geopolítica para suas estratégias neoimperialistas, com valiosos recursos naturais e que estão submetidas a ditaduras contrárias aos seus interesses imediatos. Enquanto isto... na Síria as flores de sangue são espalhadas em buquês que dizimam parte da população revoltosa; os ramalhetes de violência no Líbano continuam estilhaçando a esperança de paz; e Israel continua disseminando cravos torpes de vilania imperialista que explodem e borraram com cenas trágicas os jardins dos territórios ocupados e faz florescer o ódio nos terrenos de seus países adversários com sua política terrorista de Direita. Tudo isso com o olhar aquiescente e regador dos organismos internacionais.

PUBLICADO EM: O JORNAL DE HOJE. Natal, 23 de junho, 2012. p. 2.

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 22h48
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17/06/2012


ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA DE FILOSOFIA GRIOT:

HISTÓRIA E TRADIÇÃO: elementos sobre crítica e continuidade na filosofia da história. (Ramos)

http://pt.scribd.com/neves1313/d/97317404-Historia-e-Tradicao-Elementos-Sobre-Critica-e-Continuidade-Na-Filosofia-Da-Historia-Francisco-Ramos-Neves

Escrito por Francisco Ramos Neves às 00h12
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07/06/2012


 

I COLÓQUIO DE PROFESSORES DE FILOSOFIA DO RN

DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA O ENSINO MÉDIO

19 a 22 de junho de 2012

   PROGRAMAÇÃO

Acesse:

 http://www.icoloquiodefilosofia.ce.ufrn.br/

  

Escrito por Francisco Ramos Neves às 22h53
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A BIOPOLÍTICA DO VELHO IMPERIALISMO DA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL

A BIOPOLÍTICA DO VELHO IMPERIALISMO DA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL

Francisco Ramos Neves

Professor de Filosofia – UERN

 professor.ramos@hotmail.com

 

A globalização neoliberal tem dificuldades intransponíveis para esconder a sua verdadeira face de velho imperialismo. O capitalismo não pode ser visto como o caminho necessário de uma evolução histórica que leva a um mundo melhor gestado por uma sociedade justa e humanamente viável. O movimento comunista, sob orientação marxista, ao pensar assim forneceu bases para a aceitação de uma política historicista conservadora, o que transmutou o ideal revolucionário em apatia socialdemocrata. Walter Benjamin em 1940 em suas “Teses sobre a filosofia da história” afirmava que nada fora mais corruptor para o movimento operário do que esta crença de que a humanidade caminhava naturalmente em um progresso a um fim prometeico e salvador. Com essa visão teleológica, a esquerda socialdemocrata fez acreditar, a partir do resgate da leitura de “O Capital” de Karl Marx, que o capitalismo é um mal necessário, algo inevitável, que deveria ser aceito como momento do desenvolvimento econômico, para ser suplantado e destruído para construção de uma nova sociedade, obedecendo as etapas lógicas de suas ideias. De acordo com esta concepção “etapista” o imperialismo seria a fase superior do capitalismo, como diagnosticava Lênin, líder bolchevique em seus escritos. Esta orientação mecanicista, como último suspiro do historicismo iluminista defendia que esta condição econômica seria o elemento revolucionário que anunciaria a mudança sociedade. Marx foi superado a partir, também, desta fundamentação da teoria revolucionária. A sociedade capitalista se transmutou e não chegou ao seu fim, mesmo com a estonteante contradição existente entre avanço das forças produtivas e as relações sociais de produção. Vivemos com formas hiper avançadas de forças produtivas que incrementam a produção tecnológica de mercadorias na velocidade digital da informática, mas convivemos com relações sociais de produção pré-modernas, quase medievais, baseadas em infindáveis bolsões de miséria e exclusões de toda ordem. Mesmo assim, o capitalismo não se desconstruiu. Ele disfarçou seu imperialismo com a imagem neoliberal denominando-a de globalização. A revolução social possível não pode partir desta lógica instrumental. Precisamos repensar e rediscutir o papel do Estado e sua importância para uma nova sociedade. O Estado não pode ser mais visto pela visão marxista, como mero instrumento de poder e dominação das massas pelas elites. O poder se redesenha como biopoder e se efetiva em uma relação, como nos ensina Michel Foucault, e que atualmente extrapola a esfera do Estado e se exerce na relação biopolítica entre grupos. O racismo de Estado é substituído por um racismo intergrupos.

O fundamental no momento é perceber que a globalização sob controle neoliberal não é o inevitável, muito menos a etapa necessária da evolução social moderna, poderíamos estar em outro estágio. A globalização neoliberal atua com características modernas, mas de acordo com a mesma estratégia do imperialismo, submetendo e destruindo a soberania dos estados-nações e subjugando-os ao seu núcleo mercantil de poder. Veja o exemplo da Grécia, que seguiu todas as receitas do sistema financeiro internacional neoliberal e se anexou ao bloco econômico europeu, como exigência globalizante. Agora quando não mais pode alimentar a fome de lucro do grande capital financeiro se encontra ameaçada por uma política eugênica contra sua população que será expurgada da comunidade do euro, como forma de aperfeiçoar o corpo neoliberal das populações europeias, extirpando a sua parte “doentia”. É esta a nova fase da biopolítica tão estudada por Foucault em suas obras, mas só que agora assume uma nova etapa. Hannah Arendt na sua obra “Origem do Totalitarismo” nos alerta que inclusive certos cientistas usaram a ciência para legitimar e justificar a ideologia racista, fazendo desta a principal arma da política imperialista. A tese do darwinismo social se aplica bem ao analisarmos o caso da Grécia. A lógica eugênica dos grupos fortes da Comunidade Europeia (autoproclamados de ‘raça pura’) implementam ações de ameaças e políticas de exclusão das nações (entendidas em Foucault e Arendt como raças) consideradas raças impuras e fracas. O que o imperialismo da globalização neoliberal tenta insanamente e desumanamente demonstrar é que a sobrevivência dos mais aptos da tese evolucionista de Darwin pode ser aplicada na “seleção natural” de raças puras. Seleção natural entre aspas para designar uma ideia de natureza politizada, conscientemente e instrumentalmente empregada, pois é uma seleção ideologicamente articulada por uma econo-bio-política de exclusão para o definhamento da parte do corpo social e político (bloco econômico), apontada como doentia, para evitar o declínio do corpo total considerado puro. Segundo Arendt a bestialidade sempre esteve presente na eugenia e nega os princípios de igualdade e solidariedade que servem de base para construção das organizações nacionais de povos em sua união com outros povos, garantindo a ideia de humanidade.

A Grécia como bola da vez do biopoder do neoliberalismo imperialista está fazendo de tudo para sua própria extirpação, ao tentar se disciplinar e se regrar de acordo com os ditames do mercado financeiro neoliberal. Além do desemprego amplamente crescente os aposentados tiveram suas pensões reduzidas em cerca de 30%. O salário mínimo dos trabalhadores sofre reduções drásticas e as políticas públicas para a educação e saúde estão se arrastando com apenas 40% dos recursos anteriores à crise. A fome que impera, a mortalidade que cresce, o que inclui altos índices de suicídio, atestam a nova lógica da biopolítica neoliberal, que é a lógica do fazer morrer e do não deixar viver, obrigando-nos a resgatar Foucault e repensar os seus conceitos para além do próprio Foucault. Nesta gestão da vida pela política, não é mais o Estado que exerce o poder soberano de matar como visto antes nas sociedades punitivas. As punições e o poder sobre a vida das pessoas eliminando-a são articulados e combinados com técnicas disciplinares de regulação por meio de diversos dispositivos de controle. O antigo direito de morte sobre a vida do indivíduo é exercido sobre a população não diretamente, mas por artifícios de sufocamento e esmagamento financeiro. O Estado na era do capital financeiro regido pelo neoliberalismo imperialista perde o seu papel soberano para a força centralizadora, manipuladora e vigilante de fortes grupos financeiros transnacionais. O que ontem ocorreu com outros países, hoje ocorre com a Grécia... E amanhã? Quem será a próxima população a ser vítima deste biopoder em sua lógica eugênico-financeira?

PUBLICADO EM: O JORNAL DE HOJE. Natal, p.2, 28 de maio, 2012.

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 21h38
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02/05/2012


 
 

A NOVA-VELHA ESTRATÉGIA DA DIREITA E AS ELEIÇÕES (II)

 

A NOVA-VELHA ESTRATÉGIA DA DIREITA E AS ELEIÇÕES (II)

Francisco Ramos Neves

Professor de Filosofia – UERN – professor.ramos@hotmail.com

 

                Embora muitas pessoas ditas “esclarecidas” afirmem que as eleições municipais deste ano não tenham ligações com os acontecimentos futuros na política, os fatos e as ideias em jogo provam o contrário. Alianças hoje podem definir o comprometimento com alianças nas próximas eleições para os governos estaduais e para a próxima eleição presidencial. Bem como, rupturas e desentendimentos hoje, por falta de uma visão mais estratégica da política, podem comprometer o futuro de articulações que se solidificam no presente. É claro que em algumas situações de alguns municípios é necessária uma avaliação específica e localizada, mas é fundamental sempre levar em conta a estratégia maior que está por vir. O momento atual evidencia o fortalecimento da oposição entre Esquerda e Direita. Quando muitos acreditam ingenuamente que não se pode mais falar em Direita e Esquerda em Política, percebemos que esta polarização se agudiza e se afirma cada vez mais, com mais ênfase e de forma crescente.

O PMDB por intermédio de suas principais lideranças, Michel Temer (vice-presidente da República), o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) e o presidente da legenda, Senador Valdir Raupp (PMDB/RO), se articula nacionalmente com o DEM, liderado pelo seu presidente nacional, Senador José Agripino Maia (DEM/RN) e o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM/BA). Há mais de 4 anos os dois maiores partidos de Direita no Brasil PMDB e DEM estão se articulando para uma grande fusão política e partidária. A fusão política já acontece com diversas alianças e acordos. O PMDB, pelo seu fisiologismo, taticamente vinha fazendo alianças com o governo federal do PT alegando defesa da governabilidade e para provar que ninguém governa sem o seu apoio, como vem acontecendo ao longo dos sucessivos governos. Muda-se o partido que lidera as chapas majoritárias e o PMDB continua com seu apoio sanguessuga, para não se afastar da esfera do poder. É claro que no PMDB ainda existe uma ala que luta contra esta estratégia dos representantes da Direita em seu interior. O PMDB passa por algumas crises internas e se encontra dividido, setores progressistas que defendem a permanência na base aliada de sustentação ao governo da presidenta Dilma Rousseff do PT enfrentam reações por parte de suas principais lideranças. No entanto, os recentes acontecimentos provam que o setor da Direita do PMDB tende a vencer este embate, mas não conseguirá evitar um racha e dissidências.

O DEM e o PMDB liderado pela Direita que o comanda, articulados em uma fusão, juntamente com outros partidos menores ligados ao projeto da Direita, formam uma coalisão neoliberal que representa a nova-velha estratégia que faz reviver em ato político o retrocesso e o atraso em tudo que sempre atormentou o nosso país. A intenção é derrubar todos os avanços sociais, econômicos e democráticos conquistados nos últimos 10 anos em benefício da grande maioria do povo brasileiro, tão explorado e aviltado pelos governantes federais antes do governo Lula (PT). A fusão neoliberal é uma reação contra o início de uma uma nova era de crescimento e respeito internacional, que está conduzindo o Brasil a um padrão de qualidade que ruma ao status das grandes potências, mas com justiça social e distribuição de renda, como se percebe nos projetos dos atuais governos gestados por uma política de Esquerda capitaneada pelo PT. A fusão partidária entre PMDB e DEM está sendo planejada, mas como se trata de interesses individualistas, próprios à cultura neoliberal, a tarefa torna-se muito difícil. O PSDB que foi criado por diversas dissidências partidárias da Direita neoliberal provenientes de pequenos partidos e de setores do PMDB insatisfeitos com os “meros” interesses fisiológicos que desejavam disputar o poder, não é mais prioridade para o DEM.  A privataria tucana, o constante esvaziamento de sua legenda e a crescente diminuição de seus representantes no Congresso Nacional e em outras instâncias regionais e municipais, já retira o PSDB da esfera de prioridade nesta fusão. O PSDB já se encaminha para sua própria extinção, por ser um partido que já nasceu fadado ao fracasso. É claro que esta fusão neoliberal não dispensará alianças com outros partidos irmãos como o PR, PMN e outros menores que foram criados apenas para passarem a ideia de diversidade na Direita, mas que no fundo só se diferenciam na sigla da legenda. Aqui no Rio Grande do Norte a iniciativa de formação do Conselho Político, pelo governo do Estado, demonstra muito bem esta fusão dos interesses das elites neoliberais. Porem, a formação deste Conselho vai além da tentativa de salvar o atual governo reprovado pela grande maioria da população local, visa sobretudo fortalecer a nível local as bases para a grande estratégia nacional da Direita na escalada neoliberal contra a continuidade dos governos de Esquerda liderados pelo PT, tendo como meta a próxima eleição presidencial.

Como nunca antes visto no Brasil, ministros, governantes, grandes empresários e até juízes começam a ser condenados, punidos e excluídos. O que antes só acontecia com o povo agora também acontece com setores da elite, e é isto o que tanto preocupa a Direita. Também é um grande motivo para esta fusão neoliberal a necessidade de tomar o poder para controlar a grande riqueza nacional, produto do seu crescimento econômico, como o petróleo do pré-sal ainda a ser explorado. Afinal, para esta fusão a privataria precisa continuar para que a Direita brasileira continue obedecendo fielmente aos ditames imperialistas do sistema financeiro neoliberal no mercado mundial.

 

PUBLICADO EM: O Jornal de Hoje. Natal, 30.04.2012. p. 2

 

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 20h33
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07/04/2012


 
 

O MITO DAS SACOLAS PLÁSTICAS E O MERCADO I

O MITO DAS SACOLAS PLÁSTICAS E A REALIDADE DO MERCADO (I)

Francisco Ramos Neves

Professor de filosofia – UERN

professor.ramos@hotmail.com

 

                Está em voga a campanha contra as sacolas plásticas utilizadas para embalagem de mercadorias. O que se diz é que é unicamente em prol da preservação do meio ambiente. Tudo bem, vamos analisar esta campanha à luz da concepção de mito na filosofia. Inicialmente é bom frisar que mito não significa mentira ou ficção. Segundo Mircea Eliade, filósofo romeno, estudioso dos mitos e das religiões, em sua obra “Mito e realidade”, foram os antigos gregos, na imposição de um pensamento puramente racional (logocêntrico) em combate ao conhecimento mítico dos povos anteriores, que utilizaram estes termos pejorativos para designar o significado de mito. Em seguida os primeiros teólogos cristãos deram continuidade a este tratamento do mito para depurar os seus textos bíblicos de uma leitura que pudesse compará-los com o pensamento dos povos míticos anteriores. Embora esta seja uma outra discussão o resgate deste breve percurso histórico da palavra mito serve para afirmarmos que o título deste artigo não implica em negar o aspecto nocivo das sacolas ao meio ambiente. A pretensão é a de denunciar que há um discurso montado e bem articulado para ser disseminado, a respeito das sacolas plásticas e a campanha para o seu fim, por detrás da profundidade que esta questão merece. Por isto o título do artigo resgata a etimologia do vocábulo “mito”, que vem do grego: “Mythos” que significa: “o que se diz”. Esta origem nos remete à ideia de um discurso, uma narrativa, o que se diz pela tradição da oralidade e perpetuado pelos ritos de disseminação cultural. A linguagem mítica não é uma mentira original, mas um discurso metafórico, tal como uma alegoria ou uma parábola. Neste discurso há um núcleo racional de verdade, mas seu invólucro é místico, fantasioso e superdimensionado. É necessária uma leitura hermenêutica, isto é, uma leitura interpretativa que vá além da aparência do discurso manifesto.  Neste sentido, fazendo uma leitura crítica do mito das sacolas plásticas podemos perceber o discurso montado e orquestrado de acordo com a realidade do mercado existente.

                Em uma leitura crítica da realidade capitalista percebemos que os grandes supermercados que utilizam sacolas plásticas convencionais na embalagem dos seus produtos comercializados não estão preocupados com a salvação do planeta, quando articulam a campanha pelo fim das mesmas. Alguns supermercados já cobram pelas sacolas, no entanto a maioria não cobra diretamente, embora o preço esteja embutido no valor das mercadorias, mas pensa em ganhar com a disseminação do mito aqui tematizado. O que se esconde com a aparência do mito é a fome por mais lucros, pois não querem “dar” nada de graça para o consumidor. Ora a aparência mítica sobre as sacolas esconde a realidade de outros produtos à base de plásticos (garrafas pet, vasilhames diversos, embalagens de produtos fabricados, fraldas descartáveis, etc.) e outros produtos igualmente ou mais agressivos ao meio ambiente. Estes outros produtos não fazem parte da campanha, por serem lucrativos para as empresas e os consumidores pagam bem por eles. Salvo raras exceções, os supermercados não pensam em adotar as sacolas à base de plásticos oxibiodegradáveis (trataremos sobre este tema no próximo artigo), por terem um custo mais elevado. Só adotam estas novas sacolas quando são forçados por leis para serem obrigatoriamente aplicadas, pois não há, neste mercado de interesses financeiros crescentes, a voluntária prática de ações de gestão socioambiental responsável e corporativa. Alguns supermercados em conluio com a mídia, na disseminação do mito, estimulam a aquisição (compra) de “sacolas reutilizáveis” que tem um certo valor alto se levarmos em conta uma feira mensal ou mesmo semanal que uma família realiza, o que demanda um número grande de sacolas para carregar as mercadorias. Com a venda destas sacolas reutilizáveis os supermercados passam a ganhar ainda mais, pois não conheço casos de distribuição gratuita destas sacolas por parte dos mesmos, a não ser os casos de alguns órgãos governamentais que as distribuem gratuitamente com a clara e evidente prática de consciência e responsabilidade ambiental.

                É evidente a preocupação com o risco que as sacolas plásticas tradicionais proporcionam ao meio ambiente, por serem consideradas de difícil e demorada decomposição, o que pode,  se lançadas ao meio ambiente, proporcionar enchentes, poluição, sufocamentos e morte de animais que as devoram por serem confundidas, em alguns casos, com alimentos. Embora o mito das sacolas plásticas perpetrado pelas grandes empresas de supermercados parta desta verdadeira realidade ambiental, ele pega carona no espírito ecológico crescente para proporcionar vantagens para os seus disseminadores. A atenção apenas à aparência do que é dito pelo mito leva os indivíduos a crerem no caráter sagrado e incontestável do discurso apresentado afastando-os de sua condição histórica e profana, como nos diz Mircea Eliade. Seguindo os mitos, por uma de suas funções, os indivíduos seguem modelos exemplares que podem servir aos interesses e propósitos dos seus produtores, que os disseminam, o que atualmente ocorre pela estrutura midiática (Mass media). Em “ Imagens e Símbolos” Mircea Eliade nos revela que as estruturas míticas das imagens e comportamentos são impostos às coletividades por meio da Mass media, e só o conhecimento profundo da realidade em um olhar atento e politizado poderá contribuir para a libertação desta ilusão.

A consciência ecologicamente correta não é uma ilusão, mas a manipulação da consciência coletiva para fins outros a serviço dos interesses mesquinhos e exploradores das elites é o que conduz a sociedade às penumbras da ilusão. Neste mito produzido pelas elites o público consumidor é colocado como personagem mítico em uma cruzada heroica contra o mal, sem perceber que alimenta os desejos de poder do próprio mal. Vamos rasgar o véu da Mâyâ (ilusão) e fazer ver a face nua e crua da realidade que está por trás das aparências do mundo presente.

 

PUBLICADO EM: O Jornal de Hoje, Natal, p. 02, 26 de março, 2012

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 00h57
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O MITO DAS SACOLAS PLÁSTICAS II

O MITO DAS SACOLAS PLÁSTICAS E A REALIDADE DO MERCADO (II)

Francisco Ramos Neves – professor de filosofia – UERN

professor.ramos@hotmail.com

 

A propagada enganosa que caracteriza um dos principais aspectos do mito das sacolas plásticas esconde sua realidade prática. O apelo ao espírito ecológico de sustentabilidade que este mito incorpora tem sido inclusive fiscalizado por órgãos públicos, como foi o caso de uma recente decisão da CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) ao suspender uma campanha da Apas (Associação Paulista de Supermercados) pelo fim das sacolas plásticas. Esta campanha transgredia o Código Brasileiro de Autorregulação Publicitária e era enganosa, segundo a CONAR, pelo fato de não ter apresentado argumentos claros e bem fundamentados que a justificasse, além de esconder que o fim das sacolas plásticas não reduziria os seus custos embutidos no preço final dos produtos comercializados. A ação contra a Apas foi movida pela Plastivida (Instituto socioambiental dos Plásticos), instituto que cuida do uso consciente, responsável e ambientalmente correto dos plásticos. Além do mais a propaganda engana o consumidor pelo fato de esconder que o fim das sacolas plásticas nos supermercados obrigaria as pessoas a terem que comprar outras sacolas para o uso diário como transporte de objetos e para o recolhimento do lixo doméstico e outros. A campanha não resolve o problema do meio ambiente apenas transfere sua causa para outros setores, além de onerar ainda mais a economia do público consumidor. A campanha mítica também não explica que a utilização de sacolas retornáveis ou reutilizáveis bem como a utilização de caixas de papelão ou sacos de papel, para conduzirem alimentos, por exemplo, podem acarretar outros graves problemas, pois estes recipientes pelo uso inadequado e repetitivo podem abrigar, transportar e fazer proliferar inúmeras bactérias, fungos, bolores, coliformes fecais e outros agentes nocivos à saúde humana. Inclusive a ANVISA já proíbe o uso de sacolas de plástico reciclado em supermercados por se tratar de transporte de alimentos.

O mito é o “que se diz”, implicando dizer que não é necessariamente uma mentira, mas uma verdade superdimensionada pela comunicação repassada de pessoa para pessoa pela tradição da oralidade (pela fala), como nos povos antigos, que hoje encontra na mídia seu principal veículo de disseminação. O problema ambiental existe, mas o caráter superdimensionado pelo apelo ao imaginário popular e social do processo propagandístico é o que caracteriza o mito. O dito popular de que: “quem conta um conto aumenta um ponto”, cabe aqui para ilustrar o que seja o mito. Mas isto se efetivou anteriormente quase que naturalmente pelos diversos usos da linguagem em seu processo de transmissão codificadora e decodificadora dos seus signos linguísticos pela comunicação, o que hoje acontece de maneira ideologicamente bem articulada e planejada com claras intenções de manipulação. A dessacralização deste mito das sacolas plásticas nos mostra o caráter profano e histórico de sua realidade, a fome de lucros ainda mais crescente por parte de quem o veicula, como tenho dito. Um fato miticamente superdimensionado é a estimativa das centenas de anos necessárias para a degradação de componentes plásticos na natureza. Sabemos que alguns objetos de plásticos são de grande durabilidade, que curiosamente não estão sendo combatidos, mas outros objetos plásticos, pela sua espessura e composição frágil são de pouca durabilidade. Não falo nem das sacolas plásticas que alguns supermercados estão adotando, que de tão frágeis e finas mal suportam o peso de poucas mercadorias, chegando a ter suas alças arrebentadas ou rasgam-se por inteiro, nos obrigando a utilizar duas ou até três ao mesmo tempo, uma dentro da outra, para conduzirmos as mercadorias. O que gostaria de ressaltar é que em observações empíricas e cotidianas tenho verificado que algumas sacolas plásticas tradicionais se degradam facilmente, mesmo em ambientes fechados ao abrigo da luz ou umidade. Quem muitas vezes já não guardou um ou mais objetos em sacolas plásticas e depois de algum tempo, cerca de poucos anos ou mesmo alguns meses, não percebeu que as sacolas ficaram secas e degradadas, chegando a se esfarelar em nossas mãos, nos obrigando a trocá-las? Isto já me ocorreu várias vezes, mesmo não sendo sacolas plásticas oxibiodegradáveis. O que dizem é que as sacolas plásticas duram cerca de 100 anos para serem degradadas pela natureza, mas esta é uma hipótese que ainda carece da precisão científica. Mas o que é a certeza científica se a própria ciência na atualidade padece em um mar turbulento de crise paradigmática?

A esta altura podemos agora suscitar as seguintes reflexões: 1. No interior deste mito das sacolas plásticas há uma verdade quanto aos riscos ao meio ambiente. 2. Sabemos que, segundo especialistas, o plástico é obtido como derivação do gás produzido pela combustão do petróleo, e que se este gás não for utilizado para produção de resinas plásticas ele será “desperdiçado” e será emitido para a natureza (o que já acontece mesmo com a produção de plásticos) contribuindo ainda mais para o aquecimento global e poluição. 3. Os materiais plásticos, incluindo as sacolas, ainda são importantes. Então o que fazer em contraposição à enganosa campanha pelo fim das sacolas plásticas? Um caminho tem sido apontado por alguns ambientalistas e empresários que passaram a investir na produção de plásticos oxibiodegradáveis para serem utilizados nas sacolas. O incentivo e até a institucionalização da adoção das sacolas plásticas oxibiodegradáveis em substituição às sacolas de termoplástico (tradicionais) têm sido praticados por diversos países, sobretudo na Europa, e no Brasil por alguns Estados e municípios. Já podemos perceber que alguns supermercados e lojas já adotam estas novas sacolas alternativas fabricadas com o aditivo “d2w”, produzidas a partir do final dos anos 80, que segundo seus fabricantes são ambientalmente corretas por se decomporem mais rapidamente na natureza reduzindo o seu impacto ambiental. Mas será que estas sacolas plásticas oxibiodegradáveis também abrigam um mito?

 

Publicado em: O Jornal de Hoje, Natal, p. 02, 02 de abril, 2012

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 00h50
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O  MITO DAS SACOLAS PLÁSTICAS E O MERCADO (III)

 

Francisco Ramos Neves – professor de filosofia – UERN

professor.ramos@hotmail.com

 

                A finalidade destes artigos é a de suscitar reflexões acerca das polêmicas em torno das sacolas plásticas que já ganharam a dimensão de mito moderno: muito se diz e se propaga sobre alguma verdade. Já indicamos que atualmente as sacolas de rápida degradação na natureza é uma das alternativas para o problema ambiental enfrentado. Além das sacolas oxibiodegradáveis também se está produzindo sacolas plásticas hidrobiodegradáveis, que tem na água o estopim para início da aceleração de sua degradação.

 No entanto, as sacolas oxibiodegradáveis têm sido mais vantajosas, pois implicam em menos custos e são bem aceitas para o processo de reciclagem visto que podem ser recicladas juntamente com os plásticos tradicionais; o que não ocorre com os plásticos hidrobiodegradáveis acusados de gerarem grandes problemas à cadeia de reciclagem de plásticos tradicionais, além de demandarem mais tempo para sua degradação. As sacolas plásticas oxibiodegradáveis alegadamente trazem benefícios ao meio ambiente, pois ao se degradarem rapidamente evitam diversos problemas ambientais já conhecidos; em sua fabricação elas recebem um aditivo (d2w) responsável pela sua fragmentação “controlada”. 

                O plástico é um material sintético facilmente moldável formado por grandes moléculas (polímeros) que pode facilmente receber aditivos para sua composição, podendo adquirir certas cores ou tonalidades diferentes ou favorecer sua resistência com a aplicação de estabilizadores ou até possibilitar sua degradação em determinado tempo estabelecido. A tecnologia baseada na aplicação do aditivo (d2w) promete tornar controlável o tempo necessário para degradação do plástico fabricado. Os fabricantes declaram que de acordo com a quantidade de d2w adicionado ao filme plástico pode-se controlar o tempo necessário para sua degradação, o que pode ocorrer dentro de 2 ou 3 meses a 5 ou 6 anos, dependendo da finalidade, destinação do plástico produzido e das condições ambientais às quais é submetido. O aditivo também pode ser aplicado em plásticos reciclados. A aplicação do aditivo promete tornar o plástico oxibiodegradável, a partir de dois estágios: 1. Por um processo químico o plástico, pela reação da exposição à temperatura, radiação ultravioleta e em contato com o oxigênio, sofre a combustão (oxidegradação), sendo fragmentado em pequenas moléculas (fragmentação do polímero de sua composição), onde o aditivo age decompondo a ligação da cadeia molecular (carbono-carbono) presente no plástico, quebrando sua unidade, resistência e estabilidade. 2. O segundo estágio suposto é o biológico, onde as micropartículas, resultantes do primeiro estágio, serão “biodegradadas” pelas enzimas dos micro-organismos como bactérias, protozoários e fungos presentes no meio ambiente, resultando apenas água, dióxido de carbono e uma ínfima quantidade de biomassa.

                O mito está aqui presente, visto que este processo ocorre de alguma maneira, mas não exatamente desta forma como propagado. Institutos de pesquisas e diversos pesquisadores afirmam que não é possível prever com exatidão o processo do material oxibiodegradável exposto ao meio ambiente, nem quais as consequências deste aditivo (d2w) incorporado ao solo depois de se degradar com o plástico. Estudos comprovaram que as pequenas partículas, resultantes do primeiro estágio de degradação do plástico, não foram efetivamente biodegradadas (decompostas) pelos micro-organismos presentes no solo, chegando a se afirmar que o termo oxibiodegradável é inadequado e representa um apelo do mercado produtor elitista ao “ecomarketing” para ganhar adesão da coletividade. O certo para estes pesquisadores é que as sacolas deveriam ser denominadas apenas como oxidegradáveis para sermos corretos com sua realidade. O perigo deixa de ser visível (a poluição dos plásticos convencionais) para um “perigo invisível”, pois as pequenas partículas não biodegradáveis poderão contaminar o solo, subsolo e rios; além de não poderem ser aproveitadas para reciclagem, o que demandará mais gasto com a produção de mais plásticos e mais aditivos d2w. Também poderá gerar um “relaxamento” da consciência ecologicamente correta fazendo com que as pessoas acreditem que estas sacolas resolvem o problema ambiental, e o seu descarte desmedido na natureza poderá ser visto como natural.

E em relação a este aditivo d2w? Será que ele também, ao ser usado em larga escala, não afetaria e desestabilizaria outras cadeias moleculares na natureza? Não apenas o plástico é um polímero, nosso corpo também abrigam polímeros em sua constituição; o DNA (que contém o nosso código genético) é um exemplo de polímero. As proteínas e o amido dos alimentos também são espécies de polímeros. Segundo a teoria do caos, onde o bater de asas de uma borboleta, em um continente, poderá provocar um furacão em outro continente distante, a natureza é formada por diversos sistemas dinâmicos e complexos, onde tudo está em uma interação caótica na qual todos os resultados podem ser aleatórios e instáveis, escapando de qualquer previsibilidade. O matemático Edward Lorenz, um dos precursores desta teoria, indica que mesmo em sistemas aparentemente determinados e controlados reina o caos, onde só podemos trabalhar com padrões de probabilidades, como na física quântica, nunca com certezas. Segundo Humberto Maturana em “A Ontologia da Realidade”, o meio pode apenas desencadear e não determinar as mudanças estruturais, o sistema vivo sofre interações com o meio e se auto define em uma autopoiésis, onde em uma dinâmica recursiva a causa gera um efeito e sofre o retorno deste mesmo efeito em sua composição original. Sem defender o fim da investigação científica para melhoria do planeta, podemos dizer que neste ambiente complexo e dinâmico não podemos dizer que o aditivo d2w controla com precisão o tempo de reação na degradação do plástico, também não podemos nem dizer que o d2w inibirá suas próprias funções em contato com outros organismos presente na natureza.

O mito das sacolas plásticas ainda tem muito o que revelar, sobretudo em relação aos interesses do mercado elitista em jogo. Inclusive o monopólio na produção, comercialização e fiscalização do aditivo d2w no mercado é exercido por uma única empresa em todo o mundo.  O monopólio pertence à Symphony Environmental Technologies PLC, que é uma empresa britânica criada em 1995, que tem no Brasil como parceira exclusiva a RES Brasil Ltda. A RES Europeia controla todo o mercado, e qualquer empresa para comercializar e distribuir sacolas oxibiodegradáveis fabricada com o aditivo d2w deve receber sua autorização e selo de garantia de autenticidade. Pelo visto é o mito garantindo novamente suas funções, agora como perpetuação do poder e padronização dos valores monopolistas do mercado neoliberal vigente. Ora, se as sacolas plásticas oxibiodegradáveis resolverão os problemas ambientais não podemos ter certeza, mas poderão contribuir e muito com a superação da crise do mercado europeu, via Inglaterra.

 

PUBLICADO EM: O Jornal de Hoje, 09. Natal, abril, p. 02, 2012.

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 00h42
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25/01/2012


 
 

ARTIGO PUBLICADO

 

A NOVA-VELHA ESTRATÉGIA DA DIREITA E AS ELEIÇÕES

Francisco Ramos Neves - Professor de filosofia – UERN

professor.ramos@hotmail.com

 

               Pelos bastidores já se anuncia a nova estratégia da direita e da ultradireita neoliberais para as eleições vindouras. O partido Democratas (DEM) que surgiu tentando disfarçar sua origem autoritária de sustentação e patrocínio da ditadura militar sob a sigla da velha ARENA (triste lembrança do antidemocrático bipartidarismo do regime militar), passou sua máscara para a legenda do falido e desacreditado PDS, que depois se travestiu com a insígnia econômica do modismo do liberalismo inventando a sigla PFL, agora, aos poucos, mostra sua cara. Mostra sua cara para os que só olham a superfície da política, tais como aqueles que ao olharem para uma floresta e só veem árvores, parafraseando o filósofo alemão Hegel. Para os mais atentos na política que ao olharem para uma floresta veem mais do que árvores e percebem a urdidura e a trama das suas relações com o todo, a verdadeira cara do DEM sempre esteve à mostra. O apoio deste partido às propostas mais antipopulares no cenário da política nacional e internacional, sua aliança em torno dos movimentos em defesa no neoliberalismo e de toda prática econômica da privataria orquestrada em nosso país desde longos anos. Sua cara esteve à mostra quando do seu apoio à candidatura denominada de DEMOtucana do Serra (PSDB), o maior entreguista do patrimônio e das riquezas naturais da nossa nação nos últimos tempos. A verdadeira cara do DEM, que abriga e defende os ideais dos maiores detentores do poder sobre o capital financeiro em nosso país, sempre esteve à vista de todos em sua constante reacionária atitude contra as recentes mudanças sociais, políticas e econômicas em nosso país que o elevou à vanguarda econômica das grandes nações do mundo. O DEM não consegue se esconder quando, de maneira mesquinha, combate e tenta atrapalhar o governo popular presidido antes por Lula e agora por Dilma, que alcançaram os maiores índices de aceitação e satisfação por parte do povo e dos setores críticos e sérios da sociedade civil no Brasil e no mundo. Tudo isto sem falar nos atos isolados que desmascaram a origem do DEM como foi o caso do Decreto imposto pela governadora, filiada a este partido aqui do RN, que tentava proibir o livre direito de manifestação do povo insatisfeito com seu governo.

            A nova estratégia da Direita e da ultradireita neoliberais em nosso país e aqui no RN é a mesma e velha estratégia de sempre: se unirem e revelarem a falsa rivalidade entre si para combaterem o crescimento da esquerda e dos movimentos populares. A aliança proclamada e já em execução do PMDB com o DEM é prova incontestável desta nova-velha estratégia. Fala-se, inclusive, em fusão dos dois partidos. O PMDB transfigurado desde o fim do antigo MDB, que abrigava algumas forças políticas de esquerda no combate institucional e eleitoral aos defensores e protagonistas da ditadura militar, sempre se preocupou em estar fisiologicamente ligado aos governos de maneira sucessiva. E agora suas principais lideranças sorrateiramente articulam com o DEM alianças em nome dos princípios neoliberais em jogo e ameaçados pelo avanço das conquistas sociais que beneficiam a maioria que sempre foi excluída das condições mínimas de dignidade e cidadania. É de fato clara esta estratégia sobretudo quando estão comprovados internacionalmente os avanços e ganhos sociais e econômicos que o Brasil conquistou desde o governo Lula. Qual o interesse do PMDB em abandonar este projeto auspicioso, de beneficiamento das camadas populares que crescem em seu poder aquisitivo adentrando em patamares mais elevados de ganhos sociais e econômicos, se não for em nome dos princípios elitistas do capital financeiro e do neoliberalismo que agoniza em crise?

            Desde muito tempo percebemos na política geral e particularmente no RN as aparentes rivalidades radicais  das oligarquias entre si e que se desfazem em novas alianças político-eleitorais, também entre si. Infelizmente estas alianças não são para garantirem projetos de governabilidade e sustentabilidade social e política dos interesses dos governados, o que seria louvável, mas para manterem o status quo e o poder oligárquico e secular de suas famílias que dominam a política local.  Mas, como em outras regiões do país velhas oligarquias têm caído, mesmo com suas alianças entre si, podemos ter esperança que o RN também mude seu cenário político e seus repetidos nomes oligárquicos no poder. Podemos e devemos acreditar que o RN se erga para uma nova democracia com novos nomes e verdadeiros ganhos sociais para todo o povo e não apenas para pequenos grupos familiares locupletados no poder.

PUBLICADO EM: O JORNAL DE HOJE, Natal. 19, jan. 2012

Categoria: ARTIGOSRAMOS
Escrito por Francisco Ramos Neves às 00h23
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